quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Estou junto com essa campanha!


"No futebol, o Brasil ficou entre os 8 melhores do mundo e todos estão tristes.
Na educação é o 85º e ninguém reclama..."


EU APOIO ESTA TROCA

TROQUE 01 PARLAMENTAR POR 344 PROFESSORES


O salário de 344 professores que ensinam = ao de 1 parlamentar que rouba
Essa é uma campanha que vale a pena!
Repasso com solidária revolta!

Prezado amigo!

Sou professor de Física, de ensino médio de uma escola pública em uma cidade do interior da Bahia e gostaria de expor a você o meu salário bruto mensal: R$650,00

Eu fico com vergonha até de dizer, mas meu salário é R$650,00. Isso mesmo! E olha que eu ganho mais que outros colegas de profissão que não possuem um curso superior como eu e recebem minguados R$440,00. Será que alguém acha que, com um salário assim, a rede de ensino poderá contar com professores competentes e dispostos a ensinar? Não querendo generalizar, pois ainda existem bons professores lecionando, atualmente a regra é essa: O professor faz de conta que dá aula, o aluno faz de conta que aprende, o Governo faz de conta que paga e a escola aprova o aluno mal preparado. Incrível, mas é a pura verdade! Sinceramente, eu leciono porque sou um idealista e atualmente vejo a profissão como um trabalho social. Mas nessa semana, o soco que tomei na boca do estomago do meu idealismo foi duro!
Descobri que um parlamentar brasileiro custa para o país R$10,2 milhões por ano... São os parlamentares mais caros do mundo. O minuto trabalhado aqui custa ao contribuinte R$11.545.
Na Itália, são gastos com parlamentares R$3,9 milhões, na França, pouco mais de R$2,8 milhões, na Espanha, cada parlamentar custa por ano R$850 mil e na vizinha Argentina R$1,3 milhões.

Trocando em miúdos, um parlamentar custa ao país, por baixo, 688 professores com curso superior !

Diante dos fatos, gostaria muito, amigo, que você divulgasse minha campanha, na qual o lema será:

'TROQUE UM PARLAMENTAR POR 344 PROFESSORES'.

Repassar esta mensagem é uma obrigação, é sinal de patriotismo, pois a vergonha que atualmente impera em nossa política está desmotivando o nosso povo e arruinando o nosso querido Brasil.
É o mínimo que nós, patriotas, podemos fazer.


Assim como o Muquiço, com sua gente sempre contente, me inspira a versos, Caetano também já sentiu o coração pedi uma canção.

Meu Rio(Caetano Veloso)

Meu Rio
Perto da favela do Muquiço
Eu menino já entendia isso
Um gosto de Susticau
Balé no Municipal
Quintino:
Um coreto
Entrevisto do passar do trem
Nós nos lembramos bem
Baianos, paraenses e pernambucanos:
Ar morno pardo parado
Mar pérola
Verde onda de cetim frio
Meu Rio
Longe da favela do Muquiço
Tudo no meu coração
Esperava o bom do som: João
Tom Jobim
Traçou por fim
Por sobre mim
Teu monte-céu
Teu próprio deus
Cidade
Vista do outro lado da baía
De ouro e fogo no findar do dia
Nas tardes daquele então
Te amei no meu coração
Te amo
Em silêncio
Daqui
do Saco de São Francisco
Eu cobiçava o risco
Da vida
Nesses prédios todos, nessas ruas
Rapazes maus, moças nuas
O teu carnaval
É um vapor luzidio
E eu rio
Dentro da favela do Muquiço
Mangueira no coração
Guadalupe em mim é Fundação
Solidão
Maracanã
Samba-canção
Sem pai nem mãe
Sem nada meu
Meu Rio

sábado, 9 de outubro de 2010

Ponto Cine Guadalupe pode está sendo discriminado pelos divulgadores do filme Tropa de elite? não sei, mas vamos procurar saber.

Estive no Ponto Cine de Guadalupe para poder articular com o cinema e levar as crianças do projeto social que coordeno aqui na minha tão amada favela do muquiço, e fui informado pelo Ricardo, rapaz que trabalha na bilheteria, que os responsáveis pela distribuição do filme Tropa de Elite não quer colocá-lo em cartaz nesse Cine. Parece que não acham interessante por questão de publico. Assisti ao filme Nosso Lá nesse cinema e a sala estava lotada. Ponto cine de Guadalupe é o primeiro cinema digital do Brasil. O cinema tem como foco a valorização da produção nacional. Aos poucos a galera de Guadalupe e adjacências está percebendo a importância desse cinema.

Qual é a real razão para que esses divulgadores de elites não queiram socializar Tropa de Elite para nós?
Esse protesto não é tanto pelo filme e sim por esse ato que a meu ver soa como discriminação social.
Queremos assistir ao filme e para isso teremos que ir para as Salas da Zona Sul ou Centro?, não temos dinheiro pra pagar passagem(4,70), cinema(6), pipoca(10), coca-cola(5).

Viva o Refrigeréco do subúrbio.
Viva os biscoito de vento que temos acesso
Viva a bicicleta que fortalece nosso músculo
Viva os quilômetros que teremos que anda a pé
Para ir ao Ponto Cine.

Ponto Cine colabora com todos, enviando o email de protesto aos responsaveis em colocar o Filme nos cinemas.




wb@zazen.com.br ( Email para enviar o protesto que vai a baixo)





Guadalupe, Anchieta, Ricardo de Albuquerque, Muquiço e bairros adjacentes manifesta contra a não colocação de tropa de elite no Ponto Cine Guadalupe. E pergunta: pode está sendo discriminados pelos divulgadores do filme Tropa de elite? não sei, mas vamos procurar saber


Senhores responsáveis em colocar o filme tropa de elite nos cinemas de todo o Brasil, vimos por meio desta informar que nós moradores de Guadalupe, Deodoro, favela do Muquiço, Palmerinha, Chapadão, Anchieta, Ricardo de Albuquerque e tantas outras favelas e bairros, estamos muito interessado em assistir ao filme Tropa de Elite num lugar que seja nosso. Pelo simples motivo que nem todos nós temos dinheiro para ir às salas de exibição do Centro e Zona Sul.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Mulher, Vida eo Real

Eu sou mulher da vida
que lavanta cedo
Que descalça ou não
Pisa neste chão, duro chão,
chão de pedra,
chão batido,
chão lamacento,
chão violento...

Eu sou mulher da vida
Que cata papel,
papelão,
plástico,
garrafa pet,
alumínio,
Ás vezes, cato gente, gente que anda esquecida de si mesma
Cato o que não é mais lixo
Se preciso, a nado, cato no rio
Cato o que me da sustento
Não me importa o teu juízo
Não me importa o teu lamento.

Eu sou mulher da vida
Que anda pelas ruas,
Mesma ruas,
ruas diferentes,
ruas salientes,
ruas cumpridas,
ruas vazias.
Sobe canícula, sob chuva,
Não me importa o tempo,
Importa meu filho.

Eu sou mulher da vida
que puxa um carro,
carro de ferro, carro de madeira, carro de arame...
É o meu doce fardo,
minha inseparável cruz
Nele ponho o que cato- é meu trabalho!
fica pesado-que fazer?
Tenho força na mão, ar no pulmão, pé firme no chão.
Confiante,sigo! Não desisto não!


Eu sou mulher da vida
que mora num casebre, ou num barraco- mas é digno.
E se tenho algum abrigo,
é graças ao que não é mais lixo!
Lá tem luz, tem água, tem esgoto!
É um gosto!
Olha que até crio um porco- É pro ano novo!
Eu sei que não é novo, mas tem um fogão e forno- meu filho adora bolo!
A geladeira, que não nova,
me deu dona Norma.
Ainda tem um cão,
tem gato,
Ás vezes me aparece um rato, mas não meu não.

Eu sou mulher da vida
Que cata papel,
papelão,
plástico,
garrafas pet,
alumínio...
Isso também é dignidade...

Eu sou mulher que também ama a vida
apesar da desdita
que ama a sua vida,
embora sofrida
Que agradeço, contudo isso, sempre a Deus, o dia.


GustaOliveira


Gustavo, pedagogo e favelado do muquiço perdido pelo mundo catando frutos de esperanças

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

O doador

Th é um garoto muito bom. Ajuda sua mãe em casa lavando a roupa, lavando louça, varrendo a casa e cuidando de seus irmãos, tudo que as pessoas pedem ele faz. A mãe de Th é uma mulher calejada da vida, ex usuária de droga, já espraguejou muito ele. Um belo dia perguntei pra ela, Vera por que você não deixa seu filho fazer parte da ong caridosa? lá ele vai aprender uma profissão, fazer teatro e jogar bola. Ela, com a certeza de que sabe que o melhor pra seu filho é estudar e fazer parte de um projeto social, mas se defrontando com a deusa realidade responde: Ah! o Th me ajuda muito em casa.

Depois de algumas insistências ela deixa o garoto entrar no projeto, mas alguma coisa não o prendeu lá dentro e ele passa a catar a vergonha da sociedade pelas ruas da favela. TH tambem passa a pedir na casa do vizinho da rua ao lado a vergonha de sua mãe, dinheiro pra comprar um leite e um pão. Th passa a pedir a mim e aqueles que os dão confiança a vergonha de nossa orgulhosa caridade um real pra jogar um flipe, comprar uma pipa ou pra rodar um pião. Seu olhar só expressa faltas e carências. Eu, como muitos, vou dando dez reais, uma camisa no natal, um prato de comida. Um conselho aqui outro ali. Inclusive Já dei até um tênis. Dia desses ele aparece com uma bicicleta. Quem o deu mora numa casa bem grande, tem um carro, uma moto “ralidvison” e uma casa de praia. Th era tão necessitado que eu só pensava no que eu podia te dar. Quando meus recursos foram ficando escassos eu passei a dar o maior tesouro que um ser humano tem guardado e que jamais irá faltar: as promessas. -Th, hoje estou quebrado quando melhorar eu te dou uma moral.

Th já teve várias profissões. Taxista de bolsas na fera, domador de cavalo e piloto de carro, não! essa, apesar das facilidades, ele não foi. Engraçado, pra quem montava em cavalo de quatro patas ser piloto o tiraria dessa vida de Playboy pedinte. Ainda mais com uma pista de corrida bem próxima da sua residência. Quem sabe um dia levantasse uma bandeira do Brasil estampada numa camiseta da Nike e comemorasse todo orgulhoso o seu primeiro ganho

Jamais vi Th entrando na casa das pessoas que distribuíam caridade. A vergonha ia até embrulhada num papel de presente, porém só era entregue do portão pra fora.

Por que estou com uma dor de consciência ao lembrar das vergonhas por mim distribuídas? me lembro várias vezes de ter convidado-o pra entrar na minha casa e quantas vezes ele entrou e sentou, não! não posso me comparar com os outros, eu fiz a minha parte. O que eu doei a esse menino que não me deixa dormi tranqüilo?

Ele tem uma micro empresa, não o Th e sim o doador. Descobri a causa dessa dor de consciência. É que doador são os homens mais covardes e os mais medrosos que existe sobre a terra. Existem vários de diferentes espécies, mas essa espécie, a mais conhecida, doa pra poder não ser atacado pela presa. A qual espécie de doador eu pertenço?

Th não era bobo e sabia que alguma coisa no colégio não tava maneiro. Como pode até aquela idade ele não saber ler? já estava com 17 anos, passou a ir pro baile. Mulher, bebida, cigarro e falta de roupa pra cobri suas vergonhas. Analisou os pros e os contras e
concluiu-se no pensamento de Th

– que saber! eu vou é arrumar um trampo.

Um só não, vários. Lavador de carro, domador de cavalo, taxista de feira, bicicleteiro, vendedor de bala, ajudante de caminhão, jogador de pelada. Um dia a mãe de Th chegou até mim me pedindo uma ajuda dizendo que não estava mais agüentando com ele. Não a respeitava. Ficava na rua até tarde. Colocou na cabeça que não ia mais estudar e que seria bandido. Quando fui dar uns conselhos pra ele me assustei. Naquele momento senti que Th já estava crescido e que não adiantava mais distribuir vergonha embrulhada em papel de presentes. Seus olhos me diziam um papo reto: "quando eu era menino eu entendia como menino, agora eu sou homem". E era mesmo. Depois daquele desenrolo senti que Th tinha um olhar desconfiado. Mas será que até eu fazia parte daquele mundo de desconfiança de Th? Quantas caridades eu lhe fiz. Quantas vergonhas eu lhe tinha doado.

Th virou bandido e o doador estava seguro. Não sofreria nenhum reflexo na favela, pois doou de mais. Th era muito esperto pra ganhar dinheiro, pois sabia como todo bom favelado se virar, mas ele jamais saberá a espécie de alguns doadores.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Batruck e Lata Doida na favela do Muquiço
Não dá pra esperar chuva de prata cair do céu, os tiroteios nao param de acontecer e a máquina produtora de traficantes funciona a todo vapor. As escolas não funcionam e o emprego é pra quem estuda, os órgão públicos de cultura são quase inexistentes na periferia e as grandes ongs são profissionais demais para gerar uma mudança de fato, fazendo a sua parte e esperando que o governo faça a dele. No final das contas se conclui: A iniciativa deve ser do povo!
Indignados com essa situação, membros de igreja evangélica Congregacional de Bento Ribeiro e um estudante de serviço social tomaram a iniciativa de gerar novas referencias através da percussão. A reunião acontece aos sábados no espaço da laje. E as oficinas trabalham com diversos ritmos populares em uma linguagem descontraída e participativa. Todo mundo que chega é bem vindo. No final há uma roda de bate papo, sobre histórias bíblicas e questões ligadas a cidadania como violência, tráfico, discriminação, preconceito entre outros... A partir dessa visita, foi estabelecida uma parceria entre o Lata Doida e o Batruck, que também adotará a linguagem do reaproveitamento em seus instrumentos, possibilitanto um barateamento da oficina e uma conscientização socio-ambiental da comunidade.

Breve historico

Favela do Muquiço está localizada em Deodoro que, como canta o grande Sambista Ney Lopes, um dia já foi Sapopemba, engenho fundado em 1612 pelo jesuíta Gaspar Dutra. Muquiço, segundo o dicionário Gauches-Portugues:
1.lugar sujo ou onde reina grande desordem.

Assim como Favela não pediu pra ser Favela, Muquiço também não pediu pra ser Muquiço, sendo os conquistadores de além mar os verdadeiros batizadores dessa dita cuja “ sujeira ou desordem” que há.

Como é sabido de todos, a elite que muda tudo quando quer e “bem entende” está querendo tirar o nome Favela das nossas memória e tentando introduzir o de comunidade, um eufemismo paliativo mais contemplativo. Não sei os favelados e Muquiceiros como eu, mas eu Nego! Favela assim como Muquiço, mesmo não concordando com esses dicionários de elite de plantão, faz parte de minha historia e se tiver que mudar que seja através de nós.

Mas vamos ao que interessa. Fazendo uma pesquisa no pai dos burros, Google, percebi que as informações divulgada sobre essa favela estão todas ligadas com crime, morte e por aí vai.
O pai dos burros esquece de informar que aqui nessa Favela tivemos um grande Bloco Carnavalesco Namorar Eu Sei, fundado na década de 60 e que arrastou multidão pela rua da Praça Onze. Torrão, Syrlei, Saulo, Jorge Veludo, Valdir Caramba, Altair, Miro, Benjamim e Bolão, entre outros Personagens desse enredo, compuseram sambas de prima, de fazer cabrocha soluçar e ditos malandro ficar de joelho. Pra matar a curiosidade aí vai um trecho de uma Samba de Torrão:

A favela está dormindo
eu estou chegando agora
vem rompendo aurora
curti, sempre curti
e amanhã não sei o que será de mim.



O Pai dos burros faz jus o nome e esquece de informar que no Muquiço temos uma grande rezadeira que, segundo o Muquiceiro Jairo de Aguiar, Professor de educação física pós graduado pela UFRJ e que por sinal é grande conhecedor de futebol, disse, em alto e bem som, pra todos na esquina do beco do espinheiro: “ eu vi com esse olhos que a terra há de comer, o fulando grande crack do flamengo entrando no cafofo da Dona pra receber uma reza”. E dizem os jornalistas muquiceiros de plantão, formados na primeira turma da faculdade de meio de esquina, que um grande batedor de falta do urubu ia muito lá pedir pra vovó rezar seu joelho quando estava bichado, é.... em quanto a vovó baixava os bambas da bola cantava pra subir .

Essa nova safra da seleção bem que podia, antes de ia pra copa com o joelho bichado e tantas mais ziquiziras, ter entrado no sapatinho no barraco. Se eles soubessem que no Muquiço tem uma vovó que cura lesão sem cobrar um tostão, enh!?